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Minas: Tecnologia avança em favor do meio ambiente
Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado combate o desmatamento das florestas mineiras
Por Gustavo Mendanha
gustavo.mendanha@hotmail.com

O Mapeamento da Cobertura Vegetal varreu uma área de 1,3 milhões de hectares de mata plantada no estado, através de uma rede de 35 satélites
A preocupação com o meio ambiente, por parte de autoridades, universidades e o Terceiro Setor em Minas Gerais tem canalizado inúmeros investimentos para as florestas do estado, como meio de preservação da mata nativa e da rica biodiversidade residente no território mineiro. Até o momento, muito já se perdeu através da devastação de importantes áreas degradadas pela intensa atividade mineradora, o crescimento da pecuária e das indústrias siderúrgicas no estado. Agora, parcerias entre instituições de ensino, ONGs e governo vêm colocando Minas na vanguarda dos investimentos tecnológicos voltados para o meio ambiente.
De uns anos para cá, o desmatamento em Minas Gerais vem sofrendo uma queda de quase 30%. Entre os anos de 2005 e 2007, as perdas de mata nativa caíram de 77,6 mil hectares para 54,8 mil hectares por ano. A tecnologia hoje funciona em favor das matas mineiras. O último Mapeamento da Cobertura Vegetal de Minas Gerais foi feito através da comunicação de 35 satélites. As imagens captadas hoje são usadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para reforçar a fiscalização nas áreas de maior risco no estado.
O coordenador-geral do Mapeamento da Cobertura Vegetal de Minas Gerais e pró-reitor de Planejamento e Gestão da Ufla, o professor José Roberto Scolforo, diz que nos dias de hoje houve uma diminuição e mudança de foco de desmatamento, em relação ao período compreendido entre 2003 e 2005. Segundo o acadêmico, o fato se deve a uma ferramenta chamada Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado, desenvolvido pela Ufla e entregue à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais.
A ferramenta estabelece uma nova maneira de gerir e ordenar o território do estado, o que já tem funcionado nas regiões de maior foco de desmatamento. “O Zoneamento – que é uma forte ferramenta tecnológica em nossas mãos – permite-nos identificar onde estão as fragilidades ambientais e as vulnerabilidades do estado no combate ao desmatamento acelerado e predatório. Através dele, é possível detectar quais são os pontos calamitosos do território e, com isso, aumentar a fiscalização e o combate. Ao mesmo tempo, é possível elaborar diretrizes sociais e econômicas para essas regiões”, afirma Scolforo.
Estudos nas áreas de foco de desmatamento
O Zoneamento Ecológico-Econômico de Minas Gerais gerou um estudo que tem 244 diferentes vertentes de análise dos municípios inseridos nas regiões de foco de desmatamento. Dentre essas vertentes, destacam-se fatores como Educação, Segurança Pública, Capacidade de Gestão Pública e Ambiental, Saúde e o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). A Universidade Federal de Lavras (Ufla), criadora da ferramenta, pretende aliar e agregar valores do potencial humano, natural, tecnológico, institucional e econômico dos órgãos ambientais do estado.
O Zoneamento Ecológico-Econômico de Minas Gerais abre caminho para a realização do Inventário Florestal no estado e também serve de base para o Licenciamento Ambiental às empresas de Minas Gerais. Esses estudos têm como principal finalidade gerar dados importantes para a gestão das matas nativas de todo o território e ainda controlar mais de perto, através do governo, a ação de empresas no meio ambiente. Por exemplo, para os empreendimentos de pequeno porte e pequeno ou médio potencial poluidor, considerados de impacto ambiental não significativo, torna-se obrigatória a obtenção da Autorização Ambiental de Funcionamento (AAF).
Da teoria à prática
A corrida de pesquisadores e órgãos governamentais parece ser contra o tempo. E não poderia ser diferente. O Instituto Estadual de Florestas (IEF) estima que, em até oito anos, 95% do carvão consumido no estado virá das florestas de eucalipto, plantadas em áreas de pastagem já degradadas. Para isso, o órgão está investindo para que Minas não enfrente um “apagão florestal”.
O estado tem hoje 1,3 milhões de hectares de mata plantada. Entretanto, para que haja um equilíbrio significativo, são necessários quatro milhões de hectares. O diretor-geral do IEF, Humberto Candeias Cavalcanti afirma que há uma intensa política de incentivo florestal nesse sentido, que permite que o produtor plante cerca de 30 mil hectares de eucalipto por ano, recebendo do estado a doação de mudas, adubos e assistência técnica. Cavalcanti diz que essa mata demora quase sete anos para começar a ser explorada, o que consiste em uma das soluções para o déficit atual.
Novas tecnologias
O IEF, que já administra as Unidades de Conservação estaduais e estabelece o Sistema Estadual de Áreas Protegidas, agora vai ter um maior acompanhamento sobre a relação da empresa, ou produtor rural, com o meio ambiente. “Com o auxílio da tecnologia, podemos investigar tudo o que acontece no estado. Estamos capacitando nossos técnicos para fazerem diagnósticos detalhados do panorama ambiental, de modo a aperfeiçoar o Monitoramento da Cobertura Vegetal em Minas”, afirma Luiz Carlos Cardoso Vale, diretor de Desenvolvimento e Conservação Florestal do IEF.
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) hoje também passa a contar com o uso da tecnologia para o desenvolvimento de suas atividades com os agentes do agronegócio no estado. As unidades ambientais existentes em cada município de Minas Gerais já podem ser avaliadas e discutidas com o projeto “Caracterização de Ecossistema”.
O trabalho tem a função de destacar a potencialidade, limitação e aptidão dos municípios para quaisquer atividades de uso e ocupação do solo. Com este mapeamento por satélite, cada cidade tem capacidade de planejar, de forma sustentável, suas áreas de preservação ambiental, agropecuária e expansão urbana. “O projeto trabalha com a geologia do local, relevo, solo e clima. Até o final do ano passado, 14 municípios já haviam aderido a este trabalho, que começou no ano 2000, na cidade de Diamantina, região do Vale do Jequitinhonha”, afirma o coordenador técnico estadual de Manejo de Solo da Emater-MG, Maurício Fernandes.
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