• A tecnologia dentro da sala de aula

    Os benefícios do uso do computador nas escolas

    Dentre os benefícios do uso do computador, destacam-se: o desenvolvimento da criatividade e da autonomia do estudante; e a ampliação da capacidade de aprendizagem, de acordo com o ritmo da criança e do adolescente

    Dentre os benefícios do uso do computador, destacam-se: o desenvolvimento da criatividade e da autonomia do estudante; e a ampliação da capacidade de aprendizagem, de acordo com o ritmo da criança e do adolescente

    Por Gustavo Mendanha

    gustavo.mendanha@hotmail.com

    Desde a década de 90, o computador tem se mostrado o melhor amigo dos jovens e adolescentes do mundo todo. Quem não se lembra daquelas longas madrugadas na internet, conversando com amigos pelo ICQ, MSN, ou mIRC? Pois bem, o bom e velho amigo adquiriu mais responsabilidades no decorrer dos anos. Hoje, o computador ganha cada vez mais espaço dentro do ambiente de aprendizagem: a sala de aula.

    Durante o mandato do presidente Lula, o Governo Federal instalou mais de 400 mil computadores nas escolas públicas brasileiras – segundo o chefe do Executivo. A meta do Governo agora é alcançar a marca de 800 mil máquinas até 2010, o que, de acordo com o presidente, beneficiaria 93% dos estudantes das redes municipal e estadual de Ensino do país.

    Isso mostra que o Brasil já vem aderindo ao novo conceito de Educação que circula pelo mundo, especialmente em países desenvolvidos. No exterior, investimentos como esse do Governo Federal já não são novidade. Nos EUA, por exemplo, até 1996, apenas 14% das escolas utilizavam computadores e se conectavam à internet em salas de aula. Três anos mais tarde, esse percentual foi elevado a 63% – segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) – graças aos investimentos do governo na informatização da educação naquele país.

    Os benefícios da tecnologia

    Segundo especialistas da Pedagogia, o uso do computador em sala de aula apresenta inúmeros benefícios ao processo de ensino-aprendizagem, dentre eles destacam-se: o desenvolvimento da criatividade e da autonomia do estudante; a ampliação da capacidade de aprendizagem, de acordo com o ritmo da criança e do adolescente; aumento do desenvolvimento cognitivo, do raciocínio lógico e da autonomia do jovem aprendiz; e a promoção da autoestima, com base na execução de projetos pessoais e cooperativistas.

    Para o professor Jefferson Blaitt, coordenador de Tecnologia da Informação (TI), da Faculdade de Tecnologia de Sorocaba, hoje o computador pode ser visto como uma poderosa ferramenta de comunicação entre alunos e professores. Através disso, segundo o acadêmico, os estudantes podem se beneficiar de diversas maneiras.

    “É difícil imaginar o uso de computadores de forma isolada, a interação entre os diversos computadores (internet) é uma fonte quase inesgotável de informação e conhecimento. No processo de ensino-aprendizagem ainda estamos engatinhando, será necessário rever os mecanismos de ensino para motivar os alunos ao uso adequado desta ferramenta. Muitos docentes ainda não estão preparados para a utilização eficiente do computador dentro e fora da sala de aula”, afirma Blaitt.

    A onda contrária

    Há quem discorde dos benefícios do uso da tecnologia dentro do ambiente de aprendizagem, é o caso da psicóloga Afira Ripper. De acordo com ela, é complicado tirar proveito dos computadores em escolas onde professores têm que rebolar para conseguir formar estudantes habilitados a efetuar as operações básicas da matemática.

    Na mesma linha de pensamento, a antropóloga estadunidense Juliane Remold, que por dois anos observou 30 escolas brasileiras que adotavam o uso do computador, concluiu que a metade das máquinas apenas servia para ajuntar pó nos laboratórios. O motivo: não recebiam manutenção, ou então eram desprezadas pelos professores, muitos dos quais nem ao menos sabiam ligar a máquina.

    Exemplos de sucesso

    Entretanto, há bons exemplos brasileiros de uso correto de computadores em sala de aula. Um deles é o Projeto Piraí Digital, implementado no município fluminense de Piraí. A cidade foi a primeira a garantir um computador para cada aluno, o que incentivou os jovens aprendizes a trocarem ideias entre si a respeito dos conhecimentos adquiridos; desenvolverem atividades vinculadas a pesquisas; e estudarem em grupo. De acordo com o Governo Federal, a evasão escolar em Piraí despencou de 26% para 0,6%, depois da chegada do Projeto.

    Exemplos positivos como este no interior do estado do Rio de Janeiro mostram que o Ensino atual busca um novo sentido, baseado num modelo abrangente de assimilação de informações e trabalho com dados científicos pelo aluno. Nesse sentido, o professor Blaitt acredita que as escolas podem utilizar as novas tecnologias para despertar a curiosidade pelo conhecimento e a aplicação disso no dia-a-dia do aluno através de ambientes de simulação, realidade virtual, projetos globais de pesquisas e outras formas de interação com as tecnologias hoje disponíveis.

    “Precisamos retomar a Educação como um processo de busca do conhecimento, de curiosidade mesmo, assim como um recém-nascido aprende. Na história humana, o conhecimento foi adquirido por experiências práticas que resultaram em conceitos hoje ensinados nas escolas. O problema é que ficou muito chato estudar. O aluno não consegue entender porque aprender matemática, física e química se isso não tem nenhuma aplicação na sua realidade”, destaca o acadêmico.

    Receio das novas tecnologias

    Grande parte da rejeição do uso das novas tecnologias em ambiente escolar se deve ao temor, por parte de professores, da substituição do potencial humano pelas máquinas, como já ocorreu na Indústria do século passado. No entanto, parte da comunidade acadêmica já defende que, devido à complexidade deste novo ambiente tecnológico, as metodologias, técnicas e modelos de ensino terão papel fundamental no planejamento, execução e avaliação do Ensino. Ou seja, professores, tutores e profissionais ligados à Educação serão cada vez mais indispensáveis daqui em diante.

    “É um engano acreditar que não serão necessários professores, salas de aulas e turmas tradicionais. As novas tecnologias devem ser incorporadas aos modelos atuais de ensino, aproveitando todas as vantagens dessa utilização. Acredito que os docentes deverão se transformar em agentes organizadores e motivadores do processo de ensino-aprendizagem, capacitando o aluno a buscar o conhecimento, iluminando os caminhos do aprendiz”, conclui o professor e coordenador de TI Jefferson Blaitt.

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