• Potência das torres é mil vezes menor que o permitido…

    Poluição Invisível - O outro lado da moeda

    Estações de rádio FM e TV seriam mais nocivas à saúde

    Por Gustavo Mendanha
    gustavo.mendanha@hotmail.com

    A tese do doutor Álvaro Salles – apresentada na reportagem anterior – é contestada por seu colega de profissão, Gláucio Lima Siqueira, engenheiro eletrônico e de Telecomunicações. Siqueira trabalha na área de radiopropagação no Centro de Estudos em Telecomunicações (Cetuc) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC – Rio) e presta serviços para operadoras de telecomunicações do país. O professor é PhD em Engenharia Elétrica pelo University College London, Universidade de Londres, na Inglaterra.

    Gláucio Lima Siqueira estuda radio propagação, comunicação celular móvel e sistemas rádio digitais, que, de acordo com o pesquisador, encontram-se dentro dos limites estabelecidos pelas normas da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), internacionalmente aceitas, não podendo ser consideradas poluição.

    De acordo com Siqueira, o que existe são pesquisas que tendem a apontar na direção contrária da grande maioria dos estudos. “Estas pesquisas pessimistas são analisadas por entidades competentes da OMS e, até hoje, não foram consideradas suficientemente importantes para acarretar em mudanças nos níveis de segurança. É muito difícil para um leigo saber se determinada pesquisa é razoável ou não. Existe um ‘lixo’ nas pesquisas científicas que, em geral questionam determinações aceitas mundialmente, e que são absolutamente irrelevantes e mal formuladas”, declara o pesquisador.

    Estudo comparativo

    Gláucio Siqueira ainda levanta uma importante questão. “Já fiz um estudo comparativo entre as densidades de potência emitidas por várias fontes de ondas eletromagnéticas e foi constatado que as estações de rádio FM e de TV produzem mais densidade de energia do que as torres celulares, mesmo estando mais distantes. Ora, porque não houve nenhuma preocupação semelhante com as torres de FM e de TV? O que os olhos não vêem o coração não sente!”, alega o cientista.

    Há teorias que justificam o fato do aumento sutil de casos de câncer, devido ao aumento da expectativa de vida do ser humano. À medida que a ciência se desenvolve, mais o homem conhece o câncer e cria estratégias para se prevenir contra ele. Porém, a exposição aos longos anos vividos abre brechas para o aparecimento da doença. Este é o ponto de fuga de cientistas que condenam a relação do aparecimento de cânceres com a incidência de ondas eletromagnéticas de baixa energia.

    Quanto às ERBs, Siqueira acredita que não exista nenhuma razão plausível para considerá-las poluidoras. “Quem conhece um pouco dos sistemas celulares sabe que, para funcionar corretamente, as estações devem transmitir a menor potência possível. Isso faz com que o nível de potência seja muito pequeno, da ordem de 200 Watts, no máximo. Ora, estando a antena transmissora no topo de uma torre, a densidade de potência medida nos lugares onde a população está é da ordem de mil vezes abaixo do nível de segurança”, conclui o pesquisador.

    Tecnologia versus Saúde

    O tema apresenta inúmeras complexidades, talvez pela sua jovialidade na comunidade científica e, pelo seu recente nascimento no segmento comercial. Comodidades na contrapartida dos perigos à saúde e ao meio ambiente. O fato é que a tecnologia celular está entre os homens há mais de 25 anos e hoje já existem no mundo pouco mais de três bilhões de aparelhos celulares. Em algum ponto a discussão deverá acabar para dar lugar à razão. A humanidade espera que não seja tarde. Do contrário, a sociedade estará sempre à mercê dos confrontos paradigmáticos entre Tecnologia versus Religião e Tecnologia versus Ética. Contudo, agora, com um novo combate: Tecnologia versus Saúde.

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