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Poluição Invisível

Estudos revelam o aparecimento de tumores cerebrais entre os usuários mais assíduos.
Por Gustavo Mendanha
gustavo.mendanha@hotmail.com

O tema ainda é desconhecido pela maior parte da população brasileira, porém, a Poluição Invisível está cada vez mais presente no cotidiano das pessoas. Segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Brasil fechou o ano de 2008 com um total de 150,6 milhões de linhas pessoais de telefonia móvel – superando em 24,5% o número de acessos do ano anterior. Os benefícios: conectar pessoas à distância, sem fios, sem instalações físicas, a qualquer hora e em qualquer lugar do planeta. Os malefícios: desenvolvimento de tumores malignos na cabeça, em médio e longo prazo, segundo pesquisas no Brasil, Europa e Ásia. O alvo principal: as crianças.

A Poluição Invisível é uma denominação popular para os efeitos danosos à saúde e ao meio ambiente, produzidos pelas radiações eletromagnéticas em diferentes freqüências. Normalmente, essas freqüências ocorrem numa escala menor de transmissão, cobrindo desde as baixas freqüências, no nível de 60 Hz – usuais em energia elétrica, eletrodomésticos e eletroportáteis – às altas freqüências, que são utilizadas em sistemas de telecomunicações, como radiofreqüências e microondas.

O fato que preocupa estudiosos da Engenharia de Telecomunicações do mundo todo é que já existem hoje disponíveis importantes estudos que revelam efeitos nocivos à saúde e ao meio ambiente, produzidos pelas radiações não ionizantes, que podemos chamar de “baixas radiações”. Além de invisíveis, estas ondas eletromagnéticas emitidas pelos aparelhos celulares são incolores e inodoras e, somente quando sua intensidade é elevada a altos patamares, pode-se sentir uma sensação de aumento de temperatura, o que é chamado de efeito térmico.

O que dizem as pesquisas

Pesquisas epidemiológicas em países que usam há mais tempo os telefones móveis mostraram um aumento, de três a quatro vezes, de risco de desenvolvimento de tumores cerebrais entre os usuários mais constantes dos telefones celulares. Na maior parte dos casos, o tumor se apresenta no mesmo lado da cabeça onde o celular é utilizado com freqüência.

Para obter esses resultados, as pesquisas cobriram períodos de cerca de dez anos, tendo em vista o elevado período de latência desses tumores dentro dos indivíduos analisados. Usuários mais constantes são aqueles que usam os celulares, em média, de duas a três mil horas, num período aproximado de 6 a 8 anos, o que corresponde a uma variação entre trinta minutos e uma hora por dia.

Devido à proximidade do cérebro, as áreas mais afetadas ficam próximas à antena do celular, que muitas vezes não é vista por estar embutida no aparelho. Os tipos de tumores cerebrais mais observados são gliomas, astrocitromas, neurinomas acústicos e também tumores da glândula salivar.

As crianças são as mais vulneráveis ao problema. Seu cérebro tem maior conteúdo de líquido salino, o que acaba acelerando mais a corrente elétrica no cérebro e aumentando também sua condutividade. Isso ocorre em maior intensidade do que nos adultos. Daí então, o resultado fatal é a maior concentração e dissipação de energia em seu cérebro. Outro fator que facilita o desenvolvimento de tumores nos cérebros de crianças é a espessura de sua caixa craniana, que é menor que a de um adulto, o que resulta em maior penetração da energia. Para agravar o problema, a velocidade de reprodução das células nas crianças é maior. Ou seja, os efeitos danosos tornam-se ainda mais catastróficos.

Onde mora o perigo

De acordo com o professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Álvaro Augusto Almeida de Salles, ainda que não alterem a forma dos tecidos do corpo humano, já foi comprovado que os efeitos biológicos das baixas radiações, emitidas pelos aparelhos celulares, são bastante prejudiciais à saúde humana.

Salles, que é doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade de Londres, na Inglaterra, diz que a saúde do usuário pode ser afetada mesmo em níveis de exposição abaixo dos limites estabelecidos pelas normas internacionais. “As radiações dos celulares são completamente inadequadas à manutenção da saúde humana, ainda mais para exposições prolongadas. Nesse sentido, novos e mais restritivos limites são necessários serem implantados, considerando os resultados das pesquisas científicas disponíveis e o Principio da Precaução para estas questões”, afirma Salles.

Os estudos pelo Brasil

Na UFRGS, há mais de 14 anos, são estudadas as questões relacionadas aos efeitos das baixas radiações nos seres humanos, como o modelamento da absorção da energia na cabeça dos usuários de telefones móveis; a comparação dos resultados obtidos com os limites das recomendações mais difundidas e alternativas para a redução da exposição. Os estudos não param por aí. Há análises sobre as estimativas de intensidade do campo eletromagnético nas proximidades das estações transmissoras fixas de telecomunicações, como as Estações de Rádio Base de Telefonia Celular, chamadas ERBs, bem como as estações transmissoras de rádio AM, FM e TV e também a comparação disso com os limites das normas aplicáveis. Em muitos casos, os resultados encontrados superam os limites das recomendações disponíveis.

Os estudos iniciaram na UFRGS a partir de pesquisas bibliográficas na literatura científica internacional. Na seqüência, diversos trabalhos teóricos e experimentais foram desenvolvidos, resultando em dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos científicos – publicados em congressos – e revistas científicas do Brasil e do exterior.

Não se pode falar dos problemas da telefonia móvel sem incluir as torres de transmissão de freqüência. As estações transmissoras, como as ERBs de telefonia celular, normalmente são mais afastadas das pessoas. Isso significa que a intensidade de exposição é menor. Entretanto, já existem pesquisas epidemiológicas em alguns países, como Alemanha e Israel, mostrando que a incidência de câncer entre os habitantes que vivem num raio de 400 metros em torno das ERBs triplicou, em comparação com aqueles que habitam fora deste raio.

Hoje, de acordo com Salles, é consenso na comunidade científica independente internacional que a exposição em baixo nível, durante longo tempo – de 6 a 8 horas por dia – resulta em aumento considerável do risco à saúde. Porém, de acordo com Salles, a indústria e as operadoras têm mantido uma posição irresponsável em relação a essas questões, fazendo vistas grossas e tratando com desdém os resultados que mostram os problemas à saúde. “Essas empresas atuam de forma similar à indústria do tabaco há algumas décadas atrás, quando alardeavam ‘não há nada provado, sigam fumando’. Da mesma forma, anunciam que não há nada provado em relação às baixas radiações e que elas podem continuar sendo utilizadas sem que precauções adequadas sejam adotadas”, afirma o pesquisador.

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Perfil do usuário de telefonia móvel no Brasil:

- Entre 16 e 34 anos estão as pessoas que mais possuem celulares e utilizam suas funcionalidades.

- A penetração de celulares é maior na classe A, e a classe C é a que possui o maior número de aparelhos (como a classe C é muito maior em número de pessoas, apesar da porcentagem de penetração ser menor, ainda assim a quantidade de aparelhos é maior que na classe A).

- O Nordeste é a segunda maior região em número de celulares.

- A penetração de celular no Centro-Oeste é superior à do Sudeste, fato que se deve ao distrito Federal, que soma maior número de pessoas conectadas pela rede sem fios.

Da população brasileira:

- 51% possuem telefone celular;

- 66 % utilizam o aparelho;

- 51% dos homens possuem celular;

- 52% das mulheres possuem o aparelho;

- Mais de um terço dos jovens, com idades entre 10 e 15 anos possuem aparelhos celulares;

Fonte: MobilePedia – dados referentes ao ano de 2008.

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Quais são as diferenças entre os tipos de radiação?

As radiações não ionizantes, como o nome indica, são aquelas que não possuem energia suficiente para ionizar a matéria, nesse caso, as células constituintes de nossos tecidos. As radiações ionizantes, ao contrário, podem ionizar a matéria, liberando elétrons (cargas negativas), deixando para trás de si átomos carregados positivamente, ou seja, átomos ionizados, o que acaba modificando fisicamente a estrutura da matéria.

À medida que a energia cresce, as radiações passam de não ionizantes a ionizantes. Para os tecidos biológicos, isso ocorre em níveis de energia próximos a 12,5 eV (elétron volts).

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One Response so far.

  1. Leozao disse:

    Olá pessoal belezzz!!! venho acompanhando o uaicast desde o primeiro episódio e parabéns pela evolução parabéns pela garra e parabéns pelo episódio 10 YEEEEESSSSSS rsrsrs. chega de viadagem. Escutando o episódio 10 percebi um detalhe que me chamou atenção, a animação inicial de vocês foi muito bacana; sei que irá suar meio gay mas arrepiou a introdução por isso acho bacana vocês manterem essa tradição como por exemplo foi o BA TUM DUN TURUM TUM do juliano achei bem bacana a forma de comerçar o cast.
    Outro comentário é da dificulade de postar acho que seria bacana manter um link dos comentários logo na introdução das matérias na home do site aliás nem sei se é possivel mas acho que seria mas fácil de acessar do que ter que clicar na integra saber um básico de inglês e tal no mais boa sorte e até o próximo cast.


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